Camisinha, Papanicolau, DST e Câncer de Colo: o que tem a ver?

Pouca gente sabe, mas o papanicolau é um exame ginecológico que detecta (no corpo da mulher) a presença de várias DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis): gonorréia, clamídia, tricomonas e, principalmente, condiloma – doença causada pelo vírus HPV, chamada popularmente de crista de galo.

Qual a importância de saber isso? Toda! Que as mulheres, a partir da primeira relação sexual, devem passar a fazer esse exame, o “papa” pelo menos de 2 em 2 anos, já que a prática do sexo pode possibilitar a infecção por alguma doença.

Por quê é tão importante detectar doenças? Para evitar o seu desenvolvimento, que pode causar infecções no trato reprodutivo, esterilidade (caso da clamídia e da gonorréia) e câncer de colo uterino, uma das principais causas de morte de mulheres antes desse exame existir.

O câncer de colo de útero é provocado, em quase sua totalidade, pelo desenvolvimento das verrugas do condiloma (crista de galo); portanto, para preveni-lo realmente é necessário evitar adquirir essa doença transmitida sexualmente, o que só pode ser feito com a camisinha. A camisinha é que evita a infecção pelo seu vírus causador, o HPV, e o exame papanicolau apenas detecta se a mulher já está infectada por ele ou não, ou no pior caso, se essa infecção se desenvolveu em células cancerígenas.

Por isso, sempre se constatou que a incidência de DST e câncer de colo, além da aids é claro, é mínima em mulheres que nunca tiveram sexo e entre usuárias de camisinha. Como ninguém quer ficar sem sexo na vida (ou pelo menos a maioria das pessoas não quer), é reforça a necessidade de seu uso da camisinha, que além de prevenir tudo isso, evita a gravidez. Essas 4 propriedades preventivas desse método de barreira (evitar DST, evitar aids, evitar câncer de colo e evitar a gravidez) devem ser divulgadas, pois fazem dele um super-método para os dias atuais em que enfrentamos diversas epidemias, como a de aids e de HPV.

Não basta fazer só exames, não basta fazer só o papanicolau, não basta fazer só o teste de HIV/aids. Temos que agir antes que o nosso corpo seja alvo das doenças, é a forma mais segura de prevenção. Para os casos em que essa não foi feita, faz-se o exame, uma segunda opção que nos orienta sobre como anda o nosso corpo; e, se não teve jeito e houve infecção por alguma DST, buscamos tratamentos,  que são mais demorados, com profissionais especializados e remédios, porém que nem sempre conseguem eliminar a doença, mas apenas controla-la.

Então, não é mais fácil prevenir?

Regina Figueiredo

reginafigueiredo@redece.org

Antropóloga em Saúde e pesquisadora do NEPAIDS/USP

–        e Articuladora da REDE CE – www.redece.org

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